Por PRC—

Urge que as forças democráticas, progressistas, patrióticas e, especialmente, o movimento popular, repudiem e detenham a perigosa escalada militar de Washington na América do Sul, ordenada pelo Governo Trump e coordenada pelo Comando Sul. Devem, também, prestar solidariedade incondicional ao povo, ao Estado e ao governo da República Bolivariana da Venezuela.

Deslocar uma esquadra naval de ataque ao Caribe – incluindo porta-aviões, destróieres, submarinos nucleares, aeronaves de reconhecimento e soldados às dezenas de milhares – representa uma violação frontal aos princípios consagrados na Carta da ONU, assim como ameaça direta à integridade territorial da Venezuela. Ademais, significa uma violação à soberania da Colômbia, além de ataque à paz e à estabilidade nas Américas.

Essa provocação, em vez de episódio isolado, expressa a tradição imperialista que, há mais de século, utiliza pretextos para justificar intervenções militares diretas ou indiretas no mundo inteiro. Ao taxar o Governo Venezuelano de “narcoterrorista”, somente recicla os argumentos empregados na invasão do Panamá, nas ocupações do Haiti, no Plano-Colômbia e em diversas outras operações, armadas ou não, inclusive clandestinas.

A lógica é a mesma: agredir para expandir “espaço vital”, controlar recursos estratégicos, subjugar economias nacionais e impor a hegemonia dos EEUU no Caribe, no Cone Sul e em rotas marítimas de interesse estratégico. A escalada inclui ataques a embarcações civis no Caribe e Pacífico Oriental, com execuções sumárias. Tais ações violam o direito internacional, exacerbam a tensão regional e recriam cenários de confronto.

A Casa Branca vê o desenvolvimento em países do seu autoproclamado “quintal” como um desafio a seus desígnios. A Venezuela registrou, em 2024, sob as condições de sanções, mas favorecido pelas manifestações populares, o maior crescimento econômico na América do Sul. A situação da Colômbia é peculiar, de vez que as nove bases militares estadunidenses no seu território têm a declarada função de realizar operações regionais.

Os defensores da paz na região e no mundo precisam, unitariamente, repudiar o uso político e manipulatório do narcotráfico como justificativa de coação, bloqueio e invasão. Concomitantemente, precisam reiterar o Direito à Legítima Defesa, previsto na Carta da ONU, Artigo 51, que assegura à Venezuela e à Colômbia a reação legal às agressões armadas e a busca de apoio internacional em proteção aos seus territórios e populações.

Nessa perspectiva, merece um integral apoio a mobilização do povo venezuelano e a sua resistência anti-imperialista, assim como as manifestações colombianas em prol de sua autonomia nacional. Ao mesmo tempo, lembre-se que a região já provou a sua capacidade de resolver conflitos pela via diplomática, nos moldes defendidos pela Celac e Unasul, com respaldo nos setores democráticos, progressistas e patrióticos do Continente.

A Venezuela e a Colômbia não estão isoladas, pois cresce a consciência de que são peças do mesmo dominó. Eis por que suas lutas pela paz, liberdade e autodeterminação pertencem ao conjunto da América Latina. Particularmente, o Brasil não pode permitir uma guerra em suas fronteiras. Nenhuma ameaça é superior à determinação dos povos latino-americanos. A defesa da paz é uma tarefa urgente, continental e estratégica.

Contra a intervenção estadunidense na América Latina!
Pelo fim das ameaças e do cerco militar à Venezuela!
Paz nas Américas!

Brasil, 22-23 de novembro/2025,

Comitê Central do PRC – Partido da Refundação Comunista

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