Por PRC-Brasil—

O Partido da Refundação Comunista repudia os discursos e atos arbitrários do imperialismo estadunidense, perpetrado pelo governo extremo-direitista encabeçado por Trump, que impõe a tarifa de 50% sobre os produtos brasileiros exportados. Trata-se de um gesto hostil, que desobedece às mais elementares normas diplomáticas e carece de qualquer justificação econômica legítima.

Como está explícita e despudoradamente anunciado, a Casa Branca procura chantagear o País por causa dos processos no STF contra criminosos que, ao arrepio da Constituição e do Código Penal, tentaram efetivar um golpe violento para deter a posse do novo Presidente sufragado em 2022, executar sumariamente autoridades públicas e liquidar violentamente o regime democrático.

Na dimensão mais visível do fato, acontece a intervenção nos assuntos internos de uma nação independente, inclusive nas instâncias judiciárias, contra o inalienável direito popular de resolver os seus problemas e dispor sobre o seu destino. Revela, pela enésima vez, o descaramento integral da maior potência mundial, como se já não lhe bastasse o antigo título de policial planetário.

No entanto, a motivação básica da medida unilateral consiste – na fase de longa estagnação que assola o capitalismo internacional – em agarrar-se ao “espaço vital” que verte pelas mãos dos grupos monopolista-financeiros norte-americanos e sua ordem mundial em declínio. Eis o que açula o complexo de mascate, lançando mão do paroxismo para desestabilizar e conseguir vantagens.

A truculência da vez foca no Brasil, que produz bens concorrentes ao mercado gerido pela Casa Branca e desafia os seus protegidos, que manifesta sons dissonantes no seu quintal e pode contrapor-se à sua hegemonia, que fortalece a multipolaridade mundial e caminha sob as ruínas da ordem unipolar, que realça o protagonismo do Brics e preocupa o dono de instituições decadentes.

A intervenção não é novidade. Já esteve presente na deposição de João Goulart, financiando conspirações, bem como fornecendo respaldo naval e apoio diplomático aos golpistas em 1964. Agora, porém, o despudor é total. Os traidores – quintas-colunas de Bolsonaro, sua família et caterva – desmascararam-se como instigadores da provocação, prejudicando abertamente a Pátria.

Suas palavras e condutas, por atacarem a economia nacional, visam a promover, aqui, o desemprego e a crise. Afetam não somente os anseios do proletariado e demais classes populares, mas também os empresários, rurais e urbanos, interessados na produção e na exportação de mercadorias. Estão ligados a mais reacionária e autarquista facção da burguesia estadunidense.

As recentes ocorrências colocam a questão nacional e a defesa da soberania no centro político da conjuntura vigente – no primeiro plano da frente ampla e sua plataforma –, bem como assinalam o papel decisivo dos comunistas nas iniciativas internas, seja sustentando a resistência do Governo Federal, seja mobilizando forças ou segmentos progressistas, patrióticos e democratas.

Cabe aos brasileiros, suas entidades representativas e seus partidos, por cima das eventuais diferenças ideológicas e políticas, forjarem uma firme unidade contra o assédio estrangeiro, defendendo a soberania e os interesses nacionais. Mais do que uma disputa comercial, a Nação depara-se com a disputa histórica sobre os seus rumos locais e o seu papel no mundo contemporâneo.

Brasília, 14 de Julho de 2025,

Comitê Central do PRC – Partido da Refundação Comunista / Brasil

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