Por Hora do Povo—

“Os trabalhadores de Chicago morreram em defesa das 8 horas diárias. Não tem sentido trabalhadores, em pleno século 21, sendo obrigados a trabalhar 12, 14 e 16 horas para sobreviver, sem horário para comer.”

O presidente da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil), Adilson Araújo, em entrevista ao HP, declarou que, esse ano, nas manifestações do 1º de Maio, os trabalhadores vão às ruas pela paz, pela democracia e contra a fome. Para Adilson, “testemunhamos ao vivo cenas de genocídio do povo da Palestina, fruto podre da decadência imperialista”. Para o sindicalista, “é preciso paralisar a fúria macabra contra o progresso inexorável das nações que não seguem mais sua cartilha”. Confira a entrevista a seguir:

HP – Em que o 1º de Maio de 2024 é especial?

Adilson – Esse 1º de Maio é muito especial. Os heróis operários de Chicago, há 136 anos, quando o capitalismo ainda trazia algum progresso, deram a vida contra um, então, novo tipo de escravidão, a jornada de 14, 16 horas de trabalho.

Hoje, a classe trabalhadora se defronta com novos e dramáticos desafios O redesenho geopolítico do mundo, mostra um imperialismo em crise, decadente, acuado, tentando parar a roda da história. Assistimos, ao vivo, em tempo real, a cenas de genocídio na Palestina, mães desesperadas carregando no colo seus filhos mortos, bombardeio a hospitais, milhões de seres humanos confinados e condenados a morrerem de fome e sede, valas comuns com cadáveres de mãos amarradas. Em outro plano, multidões de migrantes tentando se livrar da fome e da miséria absoluta morrendo afogados no mediterrâneo.

HP – O que fazer?

Adilson – É preciso cultivar no povo a ambição por um projeto nacional de desenvolvimento, assentado na reindustrialização do país. Esse é o caminho que confere governabilidade ao presidente Lula. É preciso defender o Brasil dos efeitos dessa crise, ou seja, da ação predatória da especulação e dos monopólios. Estamos diante de uma crise global do capitalismo, que pavimentou esse retrocesso, o rompimento com a democracia, a dissolução da legislação trabalhista, dos direitos alcançados pela Constituição, pela CLT, o arrocho nas aposentadorias, a terceirização generalizada.

É preciso ampliar o coro das nações, ganhar as ruas pela paz, pela democracia, pela autodeterminação dos povos, por um mundo mais humano. É preciso paralisar a fúria macabra contra o progresso inexorável das nações que não seguem mais sua cartilha.

HP – O empresariado não é neoliberal?

Adilson – Acho que esse é o 1ª de Maio para elevar o nível de consciência do nosso povo. Construiremos uma Frente Ampla por esse programa. Que voltemos a crescer a ritmo Chinês, como fizemos em 2010. É necessário transformar o Brasil num país competitivo, capaz de desenvolver plenamente nossas forças produtivas e edificar uma indústria tecnologicamente avançada no refino do petróleo, na construção de navios, no complexo econômico da saúde. Para tanto, são necessários recursos. Reduzir as taxas de juros da dívida pública, conviver com um certo deficit, emitir moeda etc.

HP – A palavra de ordem “por um Brasil mais justo” não é muito genérica?

Adilson – Por um Brasil mais justo simboliza uma resposta ao negacionismo, àqueles que defendem uma agenda totalmente subordinada ao capital externo, à banca rentista, ao agronegócio voltado para exportação. O Brasil mais justo é uma consigna que interessa ao povo. Para que, em torno dessas ideias, a gente possa construir um grande pacto entre a produção e o trabalho para alavancar nossa economia, gerar emprego de qualidade e melhorar as condições de vida do povo.

HP – O servidor federal vai ter reajuste esse ano?

Adilson – Outro capítulo, não menos importante, é a universalização do serviço e valorização servidor público. Se fôssemos dedicar esse 1º de Maio a algum setor, deveríamos dedicá-lo ao servidor público. É o centro da perseguição da ideologia neoliberal. Apesar de as injustiças, é sem dúvida, o mais comprometido em servir o povo, principalmente aos mais carentes.

HP – Mais alguma questão?

Adilson – Por último, é um 1º de Maio contra o emprego informal, sem direitos. Hoje, metade da mão de obra economicamente ativa está na informalidade, sem direitos, sem lei, sem previdência.

Dentre eles os trabalhadores em plataformas são o retrato do retrocesso nas relações do trabalho. O trabalho análogo ao escravo. É preciso romper com essa lógica desumana. Os trabalhadores de Chicago morreram por oito horas. Não tem sentido trabalhadores, em pleno século 21, sendo obrigados a trabalhar 12, 14 e 16 horas para sobreviver, sem horário para comer. Então, nós temos que abominar esse tipo de trabalho mecânico, que leva o trabalhador à exaustão e à fadiga, que cria uma ilusão liberal que esse trabalhador é um empreendedor.

Gostaria de lembrar ainda, que devemos fazer um esforço para que a gente possa somar no sentido de garantir a aplicabilidade das leis aprovadas pelo presidente Lula de isonomia salarial entre homens e mulheres. Essa é uma batalha que nós temos que ecoar por todos os cantos do país.


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