Por PRC—

As eleições, no turno recente, validaram novamente o sistema eleitoral brasileiro e desmoralizaram, em face do mundo, as mentiras e campanhas dos ultraconservadores contra urnas eletrônicas. Todavia, paradoxalmente, fortaleceram justamente os inimigos do regime democrático. Mesmo notando que os partidos pertencentes à vertente popular tenham mantido, como conjunto, aproximadamente as mesmas bancadas na Câmara Federal e no Senado, fato é que os fascistas cresceram em prejuízo de parlamentares situados ao centro do espectro político, além de elegerem maior número de governadores. Desfavorável foi o resultado para presidente, em que, se comparados a 2022, caíram os votos de Lula e subiram os do candidato reacionário, colocando-o à frente na campanha.

Nesse quadro, a extrema-direita brande seu plano de retrocesso ao passado: anistiar criminosos da Intentona Golpista, nomear ministros ligados aos extremistas, remover o Estado-Maior das Forças Armadas, riscar os direitos fundamentais da Constituição, perseguir os vulneráveis de todo tipo, vingar-se do STF como instituição, abolir as políticas sociais das últimas décadas, cortar verbas de setores essenciais, sucatear o SUS, suprimir definitivamente a CLT, implantar o regime de contratação horista, cercar os sindicatos, congelar o salário mínimo, impedir a redução da jornada de trabalho para 5×2, entregar as riquezas locais aos magnatas estadunidenses e colocar o Brasil no quintal da Casa Branca. Para tanto, dispõe-se a criar uma profunda crise institucional-social e, no afã de aplastar quaisquer resistências, implantar um regime ditatorial.

Não há margem para ilusões. O País está, literalmente, à beira do abismo. A única alternativa é alargar as alianças, imediatamente, por meio de uma mesa de alto nível com agremiações políticas, segmentos partidários, entidades representativas gerais e personalidades públicas, expressão das grandes maiorias democráticas, progressistas e patrióticas.

Portanto, trata-se não apenas de fazer mais e melhor do mesmo, mas de formar uma Frente Ampla de Salvação Nacional, por cima das diferenças políticas e ideológicas, que ratifique a chapa Lula-Alckmin e organize a campanha presidencial em cada estado-membro ou município da Federação, sempre unidos em torno de uma plataforma consensual, enxuta e clara. Concomitantemente, a disputa continua, mas operando um salto qualitativo.

Não há obstáculos intransponíveis. Basta se anunciarem medidas para os primeiros cem dias do novo governo, associadas a eixos políticos significativos e impactantes, para divulgação nos vários canais – mormente redes sociais e TVs – e ocuparem-se ruas e praças. Sem prejuízo de se mostrarem realizações precedentes ou desmascarar o filho bolsonarista como fascista, miliciano e traidor da Pátria, o núcleo da comunicação precisa transitar ao futuro, dissecando as metas concretas com senso prático e linguagem direta. Pavimentando esse caminho, na segunda etapa do processo eleitoral, sem mais tardar e de forma incondicional e unilateral, é hora de apoiar as candidaturas a governos estaduais que se coloquem em oposição a projetos abertamente alinhados à extrema-direita bolsonarista.

Só assim a derrota passageira no primeiro turno poderá tornar-se a provável vitória no segundo. Lula é o candidato do povo, a única opção para se garantirem as liberdades democráticas, prover o progresso econômico-social e aprofundar a soberania nacional.

Brasil, 8 de outubro de 2026
Comitê Central do PRC – Partido da Refundação Comunista

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