Por PRC—

Manifesto de junho (PDF):

No processo eleitoral que se abre, destaca-se, para as pessoas de consciência democrática, progressista e patriótica, de esquerda ou não, membros de partidos ou não, militantes ou não, de qualquer idade, ocupação, classe social e condição econômica – o povo brasileiro – uma tarefa central: unirem-se para derrotar os candidatos fascistas – confessadamente, traidores da Pátria – e manter Lula e Alckmin na Presidência e na Vice, visando a garantir o regime democrático, defender a soberania do País, melhorar a composição dos parlamentos, seguir no desenvolvimento com progresso social e aprofundar reformas de interesse popular. Esses objetivos demandam foco, vontade, coragem, perseverança e discernimento, para se distinguir, entre as contradições, aquela principal, que define os campos em conflito e a tática.

Essa disputa decisiva ocorre em uma situação extremamente complexa e grave, no Brasil e no mundo. O capitalismo vive hoje, internacionalmente, o período estagnante do ciclo longo inaugurado logo após a Segunda Guerra Mundial. O fim da “Época de Ouro”, instalado na primeira metade dos anos 1970, e a falência do “Consenso de Washington”, que agora se traduz na ruína da unipolaridade, escancararam os novos limites antepostos à sociabilidade burguesa. Ficou público e patente que a chamada globalização neoliberal entrou em crise e se esgotou. As suas promessas de abundância e liberdade em um Planeta utópico, sem história e sem lutas entre as classes, fracassaram em face da saturação tecnológica desregrada e da concentração econômica extrema, bem como da fusão entre os bens produtivos, comerciais e bancários na sua financeirização paroxísmica, reafirmando a baixa tendencial na taxa de lucros.

Nesse quadro, as frações mais reacionárias do capital monopolista-financeiro vêm ressuscitando o fascismo. Bancando saídas violentas para impor regimes políticos ditatoriais, tentam exterminar qualquer resistência e garantir a superexploração das multidões. Ao destruir as condições de sobrevivência popular, mediante a desestruturação do mundo laboral, o estrangulamento nos mercados internos e o arrocho aos pobres, pretendem converter o proletariado em massa miserável sem direitos. Para tanto, semeiam o medo em geral e manipulam ressentimentos psicossociais da pequena burguesia, especialmente as suas frações desamparadas ou em fase de proletarização. Concomitantemente, valem-se da engrenagem que apropria o sobretrabalho no ciberespaço, em aplicativos e com “inteligência artificial”, para elevar o controle sobre o ritmo laboral, rebaixar os salários e exaurir os trabalhadores.

O resultado é a multidão global de “sobrantes”: em 2026, atingiu, a lacuna nos empregos, 408 milhões de pessoas, e a informalidade, 2,1 bilhões. Nas metrópoles, a inflação nos alimentos e o colapso dos serviços públicos corroem o salário real, forçando multidões a empilharem ocupações precárias na economia de plataformas virtuais e contratos PJ sem garantias. O desalento dobra entre os jovens, que são empurrados ao isolamento e à criminalidade. O capital explora, também, as ondas migratórias das crises por si exportadas, metamorfoseando imigrantes no contemporâneo e degradado exército laboral de reserva. Fiel defensora dos magnatas que os patrocinam e não raro precedem, a extrema direita instrumentaliza tais fluxos ou diásporas por meio de vilanias e preconceitos, inclusive a xenofobia e o racismo, para culpar os “estrangeiros” pelo sucateamento público, dividir os povos e sabotar os sindicatos.

No oeste da Ásia, os EUA procuram camuflar e blindar o genocídio na Palestina, para transformar Gaza em protetorado. Violam, reiteradamente, os compromissos de cessar-fogo. Corroboram os ataques israelenses à nação iraniana, sob as ordens do Governo Netanyahu. Pretendem, assim, apesar de revezes – como na guerra do Golfo Pérsico – controlar o fluxo de petróleo e deter a crescente resistência euroasiática. Com a degringolada e o declínio dos consensos imprescindíveis à sua hegemonia, seguidos pelo avanço da multipolaridade promovida e representada pelo BRICS, os EUA provocam guerras regionais, reativam a corrida armamentista e causam o risco de um novo conflito global. Na Europa, os governos das grandes potências capitalistas e a OTAN, seu braço armado em aliança instável com Washington, nutrem a guerra contra o Estado russo. No leste da Ásia, o governo japonês eleva as tensões.

Sob o governo de Donald Trump, o imperialismo estadunidense resgata a caquética e antediluviana Doutrina Monroe, como se o Hemisfério Ocidental, especialmente o seu autoproclamado “quintal” americano, fosse a sua área de influência natural e incontestável. Assim, pratica o intervencionismo mais descarado, articula as forças reacionárias internas e patrocinam golpes ou ascensões nas brechas das instituições locais, que são sistematicamente manipuladas e, ao fim e ao cabo, convertidas em regimes autocráticos. Embora contestada pelos povos e nações com governos soberanos, essa tutela, ansiada e praticada pela Casa Branca, conseguiu consubstanciar-se nos atos de agressão militar à Venezuela, no bloqueio à Cuba e nas sanções à Colômbia, bem como nas ingerências que facilitaram os assaltos extremo-direitistas às estruturas estatais de vários países do Cone Sul, da América Central e do Caribe.

No Brasil, como no mundo inteiro, as políticas extremistas, na forma do fascismo atual, capturam o sofrimento material gerado por seus mecenas “de cima” e o converte em ódio direcionado aos desafetos. A dispersão da convivência operária no chão de fábrica favorece o isolamento e o mitológico “mérito individual”, combatendo a solidariedade ideológica de classe. Os setores religiosos reacionários reforçam movimentos fundamentalistas e criam o pânico moralista. Inventam-se inimigos como “globalismo” e “marxismo cultural”. Simultaneamente, as redes sociais operam como armas de guerra digitais, difundindo mentiras e desinformações em escala industrial e com financiamentos bilionários. Praticando a velha matriz entreguista sob a figura de “nacionalismo” miliciano, a oposição, fantasiada de antissistêmica, utiliza o punitivismo e o culto à força bruta para canalizar o medo em face da falência na segurança pública.

De modo eleitoreiro e desonesto, a extrema direita escolhe os partidos à esquerda e os movimentos populares como alvos a serem combatidos e, se possível, aniquilados, enquanto mantém intactos os monopólios econômicos, segue obedientemente a Casa Branca e bajula o seu inquilino. A reação interna integra-se à reposta imperialista e se põe ao seu comando, fazendo-lhe coro na concentração de capital transnacional, na violência militar externa e no apego do próprio espaço vital em declínio, principalmente os mercados e matérias-primas orientadores de sua geopolítica. O Brasil – com seus recursos estratégicos, grande mercado interno e parque industrial diversificado – é o alvo prioritário da ofensiva que visa a sabotar a integração regional e interferir no processo eleitoral de 2026. Os candidatos bolsonaristas representam a sua obediente quinta-coluna, sempre prontos para agir conforme suas palavras-de-ordem.

Frente a essa realidade, as políticas sociais-liberais, em que pesem o seu progressismo inicial e as conquistas que patrocinaram, perderam a capacidade de minorar a miséria, cativar as maiorias e mobilizar grandes lutas de massas. Por isso, e pela ausência de um projeto em comum, o campo popular encontra-se paralisado por divisões internas e defensivismo tático. Portanto, é urgente rejeitar tanto a acomodação nas estruturas estatais e governamentais, que aceita a estabilidade institucional estéril, quanto o esquerdismo sectário, cujas bolhas e discursos isolam a militância da realidade concreta. O fascismo prolifera entre o povo exatamente quando e onde as forças revolucionárias, os partidos e os sindicatos perdem a capacidade de organizar as classes trabalhadoras nos locais de trabalho, moradia ou estudo, deixando o descontentamento legítimo com a democracia burguesa exposto à demagogia antipolítica e autocrática.

A resposta mais avançada exige unidade e ações comuns. Os governos democráticos e soberanos do Continente devem erguer-se como polos fundamentais em defesa da paz e de solidariedade aos povos agredidos. Por seu turno, impõem-se a superação do reformismo burocrático, a disputa de cada insatisfação nas ruas, a reconstrução das organizações populares de massas e a reafirmação o papel central do Estado brasileiro no referente à construção de um projeto potente e unitário, que combine regime político democrático, soberania nacional e aspirações dos “de baixo”. Consolidando-se o cenário em que se estreita o espaço das ditas terceiras vias, acentua-se a polarização entre os campos antagônicos e radicaliza-se o contencioso político, tornando óbvio que a reeleição de Lula é decisiva não só para o Brasil, mas também para a América Latina e os países dependentes ou ameaçados no mundo inteiro.

No País, o movimento bolsonarista é o núcleo da extrema direita. No combate à candidatura fascista, vassala do trumpismo, o apoio dos comunistas ao atual Governo Federal e à reeleição dos seus titulares traduz uma trilha combativa, nunca passiva. Jamais se deve assistir às contendas com braços cruzados. O objetivo do PRC é emparedar o ultraconservadorismo dentro e fora do processo eleitoral, mas com flexibilidade. Assim, a frente ampla deve tornar-se formalizada, orgânica e permanente, Em seu interior, cabe aos partidos populares não apenas preservarem sua autonomia, mas serem o polo mais dinâmico, como representantes do Bloco Histórico encabeçado pelos trabalhadores urbanos e rurais. Para tanto, são imprescindíveis os entendimentos que abarquem os dilemas cotidianos e sentidos da população, no apoio a candidaturas viáveis contra os reacionários, sem dogmatismo e puritanismo doutrinário.

Entre os pleitos concretas estão: crescimento econômico com soberania e progresso social; controle da inflação sem a falaciosa “austeridade” ultraliberal; valorização real do salário-mínimo; alargamento e reforço do PAC; planejamento da Nova Indústria Brasil. Mas, em vez de meramente repisar conquistas passadas, são chaves a proposta e o discurso de avançar. Faz-se necessário atualizar o projeto ao futuro do Brasil, visando a acumular forças, distribuir rendimentos, reduzir os tributos aos pobres, trabalhadores e empresários com salários ou proventos insuficientes, ampliar os direitos trabalhistas, promover a cultura nacional-popular e radicalizar o regime democrático. Semelhante política somente será factível com abertura de um novo período conjuntural e com um largo arco de alianças que a defenda, promova ou sustente, assim como uma nova correlação de forças, que retire as classes populares da defensiva estratégica.

Além dos majoritários, os postulantes proporcionais somam, e muito, na campanha para derrotar o principal candidato fascista. Também desempenham relevante papel na luta para “mudar a cara” dos parlamentos – Congresso Nacional e assembleias estaduais –, fortalecendo as bancadas democráticas, progressistas e patrióticas nas instituições estatais que interferem nos rumos do governo, da legislação e da política nacional. Eis porque os militantes, os ativistas, os lutadores populares, os apoiadores e eleitores da chapa Lula-Alckmin, precisam desenvolver iniciativas de ações próprias e multilaterais, desde já. De modo nenhum basta receber, “curtir” e falar pelas “redes sociais”, pois a internet e o ciberespaço, embora importantes, nunca substituem a vida ou as relações presenciais e pessoais, com contatos coletivos, individuais e diretos. O PRC apela, pois, às pessoas interessadas e engajadas no combate em curso.

Integrem-se, imediatamente, à campanha eleitoral, conforme as fases definidas em lei. Trata-se de promover atividades coordenadas em cada bairro, fábrica e local de estudo, reunindo companheiros, colegas, conhecidos, amigos, familiares e vizinhos, convocando e fortalecendo encontros e atos, pequenos e grandes, nos múltiplos e variados espaços possíveis. O foco da carga é a extrema direita bolsonarista – o inimigo principal –, para desmascarar os agentes do imperialismo, isolar o fascismo e preparar o triunfo. Vencer exige firmeza, organização e presença popular. Nos Estados, é hora de apoiar candidaturas que reúnam maior número de forças, além de manter relações cordiais e contatos regulares com outras postulantes fora do campo extremo-direitista. Estabelecer pactos de não agressão, com vistas ao apoio incondicional ao político democrata que chegue ao segundo turno. O caminho da vitória é árduo, mas já está claro.

Brasil, 19-21 de junho de 2026,

Comitê Central do PRC – Partido da Refundação Comunista

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