Por Sérgio Campos*—

O comportamento de Flávio Bolsonaro em solo americano sintetiza um dos capítulos mais agudos de aviltamento da soberania nacional já protagonizados por um representante eleito. Atuando como um autêntico mercador de crises, o senador ignora a liturgia do cargo para vilipendiar as instituições brasileiras em palanques estrangeiros. Essa diplomacia calhorda às avessas busca converter o isolamento político doméstico em capital externo, oferecendo o alinhamento automático do país e a entrega de recursos estratégicos em troca de proteção para seu grupo político.

Essa postura de lacaio ideológico escancara um despreparo intelectual e ético alarmante, pois ao implorar que uma potência estrangeira intervenha em assuntos internos, ele abdica da dignidade da função pública. Flávio Bolsonaro se coloca voluntariamente na posição de subordinado, validando a ideia de que o Brasil seria um território tutelado e incapaz de resolver seus próprios impasses sem o aval de Washington.

Tal conduta configura uma traição aos interesses nacionais em seu sentido mais estrito, ao estimular que o legislativo de outro país julgue autoridades brasileiras e sugira sanções que prejudicam diretamente o povo.

A capacidade de manipular grandes massas e se manter no jogo político, apesar de tal deslealdade institucional, reside em uma engenharia de conspiração que opera ininterruptamente.

Ele se aproveita de um ecossistema de desinformação para sequestrar o conceito de patriotismo, invertendo valores para que a subserviência seja lida como liberdade. Essa conspiração constante, que ocupa cada dia do calendário, alimenta-se da morosidade do sistema punitivo e da exploração de bolhas ideológicas, permitindo que ele transite impunemente enquanto trabalha ativamente contra a imagem e a economia do próprio país.

O espetáculo oferecido é a celebração do complexo de vira-lata elevado à décima potência, onde o senador se apequena diante de uma plateia estrangeira para pedir que o Brasil seja punido. É a antítese do orgulho nacional e um escárnio ao juramento de defender a Constituição e a independência da República. No fim, sua permanência no poder sem uma punição a contento é o reflexo de uma política degradada, onde o cinismo e a arquitetura do caos são usados como escudos contra a justiça e a soberania.

*Sérgio Campos, artista plástico.


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