O Brasil, no que se refere à dimensão eleitoral, passou por uma disputa política de grande importância. Mais do que o simples somatório das escolhas para governos e parlamentos locais, assistiu-se a uma espécie de antessala que precede o embate já esboçado para o pleito geral em 2026, especialmente a Presidência da República. Prevendo a relevância do balanço acerca das urnas municipais, especialmente nas capitais e maiores cidades, o CC do PRC reuniu-se no mês de novembro, de 14 a 17, para cumprir uma Ordem do Dia cujo ponto central, sem dúvida, foi a conjuntura e suas características, com seus desafios e desdobramentos.
Sabe-se que o Partido da Refundação Comunista – em contraste com a maioria dos agrupamentos à esquerda no espectro político, sem falar nos segmentos burgueses com posturas democráticas e progressistas – formulou e defendeu a tática de frente ampla, solidamente calcada na realidade. O seu intuito foi, basicamente, isolar e vencer a extrema direita, especialmente o núcleo fascista que, ao fim e ao cabo, passou a comandar o bolsonarismo. Portanto, é necessário avaliar o seu resultado concreto e formular conclusões práticas sobre o caminho a ser trilhado, para se obter uma vitória decisiva contra os vetores ou forças do retrocesso.
O documento – Eleições 2024: Vitória da frente democrática sobre a extrema direita –, finalizado pelo método historicamente consolidado nas elaborações orgânicas do movimento comunista, com a criteriosa inserção das emendas que, uma vez debatidas e aprovadas, enriquecem o projeto inicial, encontra-se publicado na seção “Formação”, subseção “Resoluções do PRC”, do Portal Vereda Popular. Está, obviamente, à disposição da militância e amigos do Partido, como linha oficial para pronta efetivação, além dos aliados e interessados como conjunto. A edição final tem cinco partes, que antecipam sua lógica interna e destacam seus conteúdos específicos.
Primeiramente, “O mundo em convulsão” insere as eleições recentes no quadro internacional de alta instabilidade geopolítica, que se aprofunda na medida mesmo do esgotamento e declínio experimentados pelo projeto hegemônico no mundo burguês ao fim dos novecentos. Ao mesmo tempo, cita o novo reordenamento internacional baseado na multipolaridade, processo perpassado pelas crescentes provocações dos centros imperialistas, pelos conflitos bélicos, pelo conservadorismo reacionário e pelas consequências táticas determinadas pela defensiva estratégica em que atualmente vivem, generalizadamente, as forças proletárias e populares.
Depois, “A contradição principal e a tática de frente ampla”, com foco no terreno nacional, esclarece a disputa renhida e aberta entre os defensores do regime político democrático, de um lado, e os adeptos da contrafação articulada pelo núcleo duro fascista, de outro, que acabou por catalisar os movimentos em ambos os polos, mesmo aqueles egressos dos problemas e tradições particulares, cujos resultados haverão de gerar repercussões locais, estaduais e nacionais. Tais vetores necessitam ser compreendidos e projetados aos desdobramentos conjunturais pelas forças mais avançadas, porque deles dependem as suas condutas em curto e médio prazo.
Na sequência, “A primazia do campo democrático e progressista” estabelece o sentido geral do sufrágio, de vez que, na maioria dos municípios onde a unidade se viabilizou, mesmo que de modo rebaixado, a política de frente ampla barrou as pretensões eleitorais bolsonaristas e saiu vitoriosa. Impediu assim um possível desfecho trágico do ciclo político iniciado com a destituição presidencial em 2016 e interrompido pelo processo eleitoral de 2022, ou seja, o controle dos governos municipais, em sua maioria, mormente os mais relevantes, pelos fascistas, sobretudo nas cidades mais populosas e localizadas no centro nevrálgico do metabolismo capitalista.
“A situação pós-eleitoral” mostra que uma vitória ou derrota jamais podem ser medidas pelo simples somatório de votos e cargos obtidos por siglas. Logo, é preciso acentuar que a grande maioria dos prefeitos, vice-prefeitos e vereadores eleitos pertence a partidos que integram o campo democrático. Muitos participam do Governo Federal, integram sua base de sustentação ou são dirigentes em sua área de influência política. Todavia, deve ser reconhecido que a extrema direita, mesmo derrotada, cresceu eleitoralmente, com destaque aos grandes centros urbanos, apresentando inserção nacional, presença nos “de baixo” e base de massas.
Por fim, a linha definida pelo Comitê Central fornece “Algumas tarefas imediatas”, que reafirmam os elementos bem sucedidos nos dois últimos pleitos, especialmente a tática de expandir alianças aos segmentos democráticos e progressistas, entre os quais os partidos da base governamental em nível federal. Conclui, então, com passos a serem dados adiante para insular cada vez mais a extrema direita, esvaziar o seu protagonismo político, deter a sua capacidade de incidir institucionalmente e barrar o seu crescimento junto às camadas populares. O propósito é forjar melhores condições para novas e maiores conquistas em benefício do povo brasileiro.
Leia, na íntegra, discuta e divulgue o documento Eleições 2024: Vitória da frente democrática sobre a extrema direita, em Vereda Popular, seção “Formação”, subseção “Resoluções do PRC”.
