Por Comitê Estadual do PRC – Minas Gerais—
“No processo eleitoral que se abre, destaca-se, para as pessoas de consciência democrática, progressista e patriótica, de esquerda ou não, membros de partidos ou não, militantes ou não, de qualquer idade, ocupação, classe social e condição econômica – o povo brasileiro – uma tarefa central: unirem-se para derrotar os candidatos fascistas – confessadamente, traidores da Pátria – e manter Lula e Alckmin na Presidência e na Vice, visando a garantir o regime democrático, defender a soberania do País, melhorar a composição dos parlamentos, seguir no desenvolvimento com progresso social e aprofundar reformas de interesse popular.”
Manifesto de Junho/2026
Brasil, CC do PRC
A luta democrática e as eleições em Minas Gerais
Considerando-se a centralidade da disputa presidencial na conjuntura, expressa no Manifesto de Junho, e os desdobramentos de uma campanha acirrada em todos os níveis, a ausência de uma frente ampla democrática formalizada – com funcionamento público, regular e permanente – dificultou as alianças partidárias nacionais e nos estados-membros. Em Minas Gerais, tal lacuna exige uma adequação tática ainda mais refinada. Trata-se de adequar a orientação política em cada terreno e frente de ação concretos, subordinando, adaptando e potencializando a conduta local ao núcleo tático.
O Estado de Minas desempenha papel decisivo no cenário brasileiro. Segundo maior colégio eleitoral e com expressiva presença econômica, tem sido visto, genericamente, como síntese do Brasil, por apresentar uma notável diversidade regional e ser depositário de uma histórica tradição democrática. Derrotar a extrema direita em solo mineiro e eleger um governo alinhado às causas democráticas é uma condição indispensável para desmantelar as bases locais do bolsonarismo.
No entanto, aqui, o campo democrático e popular se fragmentou, inviabilizando uma coalizão alargada. Por vários motivos – a serem detectados e analisados posteriormente –, as tentativas de unidade fracassaram, tornando impossível reunir a totalidade das forças progressistas em torno de um só conjunto de projeto e candidaturas majoritárias. Nem sequer os partidos que integram a base de sustentação ou detêm cargos no Governo Lula estão reunidos. Ademais, segmentos eleitoreiros ou de viés esquerdista colocam seus interesses particulares acima das necessidades gerais dos trabalhadores e das classes populares.
Contudo, a dispersão é também observada no campo disputado por diferentes setores da extrema direita, o que abriu espaço para afirmar candidaturas de tradição democrática, portanto, capazes de no segundo turno reunirem forças suficientes para enfrentar e derrotar o fascismo em Minas Gerais. Com tal objetivo, a seção estadual do PRC declara apoio à chapa encabeçada por Patrus Ananias e Jarbas Soares, por ter reunido o maior número de forças progressistas na campanha estadual: a Federação Brasil da Esperança, composta pelo PT, PCdoB e PV, a Federação P-Sol-Rede e o PSB.
Esse apoio remete, prontamente, a Marília Campos. A amplitude na articulação e a densidade eleitoral são básicos para sublinhar suas reais condições de vitória, expandindo a bancada democrático-progressista no Senado. A escolha da segunda vaga deve levar em conta a realidade local, sem preconceitos, concretizando-se na candidatura que revele a melhor condição para barrar a eleição de um bolsonarista bem como favorecer diálogos e ações conjuntas durante o processo eleitoral e depois. Quanto a deputados estadual e federal, a tarefa é reforçar os nomes com potencial de derrotar o fascismo e combatê-lo nos parlamentos.
Os partidos e campanhas do campo democrático e progressista precisam também, desde já, estabelecer um pacto de não agressão entre si, concentrar a centralidade das críticas na extrema direita e assegurar sua unidade irrestrita no segundo turno. Diferentemente de campanhas anteriores, este processo eleitoral deve apresentar-se como oportunidade para uma articulação orgânica da frente ampla, servindo para aparar arestas internas e organizar os seus componentes.
Independentemente do resultado que as urnas apresentarem, pode-se antecipar que o pleito de 2026 inaugurará uma nova fase das lutas entre as classes no País. A unidade tática construída agora em Minas Gerais pode colocar o campo democrático em melhores condições nas disputas e combates futuros. Para tanto, os possíveis desdobramentos táticos e as eventuais novas orientações concretas serão comunicados à militância comunista e ao conjunto das forças populares nos momentos adequados, ao longo da campanha eleitoral.
Belo Horizonte, 10 de setembro de 2026,
Comitê Estadual do PRC – Minas Gerais
Partido da Refundação Comunista
